Quem tem sinusite crônica e ouve falar em implante zigomático costuma fazer uma pergunta lógica: “o implante passa perto do seio da face, e o meu seio já é problemático. Dá certo?”. A pergunta é boa, e a resposta começa por um princípio simples: o seio precisa ser avaliado antes da cirurgia, e não descoberto durante.
Neste texto eu explico por que o seio maxilar entra na conta, o que o consenso internacional diz sobre sinusite, o que se faz quando ela já existe e quais sinais merecem contato depois da cirurgia.
Resposta rápida: sinusite crônica não impede automaticamente o implante zigomático, mas exige investigação e, com frequência, tratamento prévio. Seio maxilar com doença ativa não é o cenário para operar; tratado e estável, o zigomático volta a ser possível. A decisão do seu caso sai da consulta inicial, com tomografia.

Por que o seio maxilar entra na conta
O implante zigomático foi criado para casos em que quase não há osso na parte de cima da boca. Para alcançar o osso zigomático, que é o osso da maçã do rosto, ele percorre um trajeto que se relaciona diretamente com o seio maxilar. Isso é uma característica da técnica, não uma complicação dela.
Por isso a saúde prévia do seio é avaliada com tomografia, e não apenas pelo relato do paciente. Muita gente convive com alteração no seio sem sintoma claro, e outras pessoas que sentem sintomas têm o seio saudável. A imagem mostra o que o relato não mostra. Se quiser entender a técnica do começo ao fim, escrevi um guia completo sobre o implante zigomático.
O número que o consenso mostra
A sinusite é a complicação mais discutida na literatura de implantes zigomáticos. No consenso do ITI, a prevalência agrupada de sinusite ficou em torno de 14,2% em seguimento médio de 65 meses, com sobrevida dos implantes de aproximadamente 96,2% no conjunto dos estudos analisados.
Eu prefiro dizer esse número a omiti-lo. Ele diz duas coisas ao mesmo tempo: a técnica tem alta sobrevida, e a sinusite é um evento que precisa ser antecipado e acompanhado. Quem tem sinusite crônica já conhece o seio, e isso ajuda a planejar.

O que se faz quando já existe sinusite
A conduta depende do tipo e da atividade da doença:
- Sinusite aguda. Trata-se antes. Não se opera um seio inflamado de forma eletiva.
- Sinusite crônica com causa dentária. A origem odontológica é tratada primeiro, e muitas vezes o quadro se resolve.
- Sinusite crônica de causa nasal, pólipos ou desvio importante. Avaliação com otorrinolaringologista antes de decidir.
- Alteração sem sintoma na tomografia. Nem toda opacidade é doença ativa, e a interpretação é individual.
Em uma parte dos casos, o encaminhamento ao otorrino não é burocracia: é o que transforma um caso inviável em viável.
Sinusite de origem dentária: o dente que ninguém desconfia
Um dente da parte de trás de cima, com infecção na raiz ou periodontite, pode inflamar o seio por contiguidade. É uma das causas mais frequentes de sinusite de um lado só, e muita gente passa anos tratando o nariz sem olhar a boca. Quando a causa está no dente, tratá-lo costuma resolver ou melhorar muito o quadro, e só depois o implante é planejado.
Se você tem sinusite de um lado só, com mau cheiro ou gosto ruim, diga isso na consulta. É uma pista importante. Também escrevi sobre sinusite após implante dentário, que ajuda a entender o outro lado da relação entre boca e seio.
O papel do otorrinolaringologista
O otorrino enxerga o seio por dentro, com exame próprio, e sabe quando uma alteração precisa de tratamento. Eu enxergo a boca e o osso. A combinação das duas visões é o que dá segurança, principalmente em quem tem pólipo, desvio importante do nariz ou sinusite que volta toda hora.
Na prática, eu peço a avaliação dele antes de marcar a cirurgia e uso a orientação dele no planejamento. Se ele disser que o seio precisa ser tratado antes, a gente espera, e o tratamento do seio é parte do plano, não um atraso.
Anestesia e sedação no implante zigomático
O implante zigomático é uma cirurgia maior do que a de um implante comum, e a escolha da anestesia acompanha isso. A anestesia local é sempre usada. Em muitos casos, soma-se a sedação endovenosa, sempre aplicada por um médico anestesista, e em alguns casos a indicação é operar em centro cirúrgico, com anestesia geral. O que decide é a tomografia, a extensão da cirurgia e a sua saúde. Conheça mais sobre sedação endovenosa na odontologia.
O que o paciente deve observar depois
Alguns sinais merecem contato com o cirurgião: obstrução nasal persistente de um lado só, secreção com mau cheiro, dor em pressão na face ou sensação de pressão que piora ao inclinar a cabeça.
Sintoma leve e passageiro nos primeiros dias é esperado. O que não é esperado é o sintoma que se instala e não melhora. Nesses casos, procure a equipe sem esperar o retorno marcado: tratar cedo é mais simples.
Exames e relatório de risco cirúrgico
Antes de qualquer cirurgia, eu peço o relatório de risco cirúrgico, feito pelo cardiologista, e um conjunto de exames de laboratório: hemoglobina glicada, glicemia de jejum, glicose, hemograma e coagulograma. Eles mostram como está o seu corpo naquele momento, e valem para todos os pacientes, não só para quem tem alguma doença.
A orientação do seu otorrinolaringologista sobre a sua doença e os seus remédios soma-se a esses exames e ao risco cirúrgico, e não substitui nenhum deles.
Como é o dia da cirurgia
- Leve o relatório de risco cirúrgico do cardiologista, os exames de laboratório e a lista de remédios.
- Avise se estiver com resfriado, nariz entupido ou sinusite aguda. Pode ser melhor remarcar.
- Siga o jejum do anestesista, se houver sedação ou anestesia geral.
- Venha acompanhado por um adulto.
Nos primeiros dias depois
Nas primeiras semanas, algumas orientações protegem o seio: evitar assoar o nariz com força, espirrar de boca aberta quando possível e evitar mergulho e viagem de avião sem orientação. Também combino o uso de remédios para o nariz, se forem necessários. Os retornos são mais frequentes no começo para acompanhar a cicatrização.
Dois mitos que eu escuto
- “Quem tem sinusite não pode fazer zigomático.” Pode, desde que o seio seja avaliado, tratado se necessário e esteja estável.
- “Se o implante passa pelo seio, vai dar sinusite.” Nem sempre. A sinusite é uma complicação possível, com prevalência medida na literatura, e é acompanhada de perto.
O que combinamos na semana anterior
Na semana antes da cirurgia eu confirmo com você os remédios, o plano de anestesia, a data e quem vai acompanhar. Peço que você me avise se aparecer febre, resfriado, secreção diferente ou piora da sinusite. Nesses casos é melhor remarcar do que operar com o seio inflamado, e o plano é retomado sem prejuízo.
Se você usa spray nasal ou lavagem com soro, continue como o seu otorrino orientou. Manter o nariz limpo e o seio em boa condição na véspera ajuda a recuperação.
Se a sinusite voltar depois
Se a sinusite voltar depois do implante, o primeiro passo é não se assustar e não esperar. Procure a equipe, descreva o sintoma e, em geral, a conduta combina tratamento clínico e reavaliação por imagem. Muitos casos respondem bem ao tratamento quando ele começa cedo. Em alguns, o otorrino participa de novo, e a gente conversa os três juntos. Ter o seio acompanhado desde o começo facilita muito esse caminho.
Quando adiar faz sentido
Seio com infecção ativa, tratamento do otorrino em andamento ou resfriado forte são motivos para esperar. Adiar por um motivo claro e por pouco tempo é diferente de adiar por medo, e a gente conversa sobre qual é o seu caso.
O que esperar da consulta inicial
Na consulta inicial eu escuto a sua história: há quanto tempo você tem sinusite, de que lado, quais tratamentos já fez e se já passou por otorrino. Depois vem o exame clínico da boca e a tomografia dos seios da face, que é o exame que mostra o que o relato não mostra.
No fim, você leva o seu diagnóstico, com os caminhos possíveis, as etapas e o que precisa ser resolvido antes. A decisão é sua, no seu tempo. Ninguém precisa decidir na cadeira.
Quem deve vir junto à consulta
Se a decisão é tomada em família, traga o marido, a esposa ou quem vai cuidar de você depois da cirurgia. O implante zigomático pede alguns dias de repouso, e quem vai ajudar precisa ouvir as orientações. Na consulta inicial você sai com o seu diagnóstico pronto, na visão clínica do Dr. Daniel, e decide no seu tempo.
Perguntas para levar ao seu otorrino
- O meu seio está com doença ativa hoje?
- Existe pólipo ou desvio que precise de tratamento antes?
- O que eu devo observar depois de uma cirurgia perto do seio?
- Posso usar os meus remédios para o nariz como de costume?

Perguntas frequentes sobre sinusite crônica e implante zigomático
Sinusite crônica impede o implante zigomático?
Não automaticamente. Ela exige investigação, e muitas vezes tratamento prévio. Com o seio tratado e estável, o implante zigomático volta a ser possível.
Preciso passar pelo otorrino antes?
Em muitos casos, sim. O encaminhamento não é burocracia: ele pode transformar um caso inviável em viável.
A sinusite pode aparecer depois do implante zigomático?
Pode. É a complicação mais discutida na literatura, com prevalência em torno de 14,2% em seguimento médio de 65 meses, no consenso do ITI. Por isso ela é antecipada e acompanhada.
Quem aplica a sedação no implante zigomático?
Sempre um médico anestesista, que avalia você antes e acompanha os sinais vitais do começo ao fim.
Sinusite de um lado só pode ter origem no dente?
Pode. Um dente da parte de trás de cima com infecção é uma causa frequente, e tratá-lo costuma melhorar muito o quadro.
Quais sinais pedem contato depois da cirurgia?
Obstrução nasal persistente de um lado, secreção com odor, dor em pressão na face e pressão que piora ao inclinar a cabeça.
Fontes
- PubMed — Implantes zigomáticos e sinusite: revisões sistemáticas
- International Team for Implantology (ITI) — Consensos e literatura
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Agende sua consulta inicial em Natal-RN
A decisão sobre o seu caso depende de exame clínico e tomografia. A consulta inicial é conduzida pessoalmente pelo Dr. Daniel Coutinho, especialista em Implantodontia pela FOP-UNICAMP, CRO-RN 2966.
Cartas do Dr. Daniel Coutinho. Uma carta a cada 15 dias com um assunto como este, explicado com calma. Sem propaganda; para sair, é só responder SAIR.

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