Peri-implantite: O Que É, Sinais Precoces e Como Prevenir

Peri-implantite e a principal causa de perda tardia de implantes. Veja sinais precoces, prevalencia e como prevenir.

Quando um implante se perde muitos anos depois da cirurgia, o paciente costuma me dizer: “O meu corpo rejeitou”. E, quase sempre, não foi isso. Foi uma inflamação silenciosa ao redor do implante, que foi comendo o osso devagar, em silêncio, e que ninguém viu a tempo. Esse quadro tem nome: peri-implantite.

Neste texto eu explico o que é a peri-implantite, como ela começa, quão comum é, quem tem mais risco, como se descobre e o que dá para fazer. O objetivo é que você reconheça o sinal cedo, que é quando tudo é mais simples.

Resposta rápida: peri-implantite é a inflamação que atinge o osso ao redor de um implante que já estava integrado, e é a principal causa de perda tardia. Uma meta-análise com 57 estudos estimou que ela acontece em cerca de 19,5% dos pacientes e 12,5% dos implantes. Começa de forma silenciosa, com sangramento na escovação, e avança em silêncio. Fumar, ter tido doença da gengiva e faltar às revisões são os fatores de risco mais consistentes.

Peri-implantite: o sinal precoce não é dor, é sangramento ao escovar

Mucosite e peri-implantite: não são a mesma coisa

A diferença é clínica e decide o prognóstico. Na mucosite peri-implantar, a inflamação fica só no tecido mole: a gengiva ao redor do implante fica vermelha e sangra, mas o osso continua intacto. É uma condição reversível, e tratada nessa fase costuma se resolver.

Na peri-implantite, a inflamação já passou para o osso e houve perda óssea ao redor do implante. O osso que se perdeu não volta sozinho. Por isso eu chamo a mucosite de janela de oportunidade: é o momento em que o problema ainda é totalmente reversível.

Quão comum é a peri-implantite

Os números publicados variavam muito, em parte porque cada estudo usava uma definição diferente de doença. Uma revisão sistemática com meta-análise de 2022, que reuniu 57 artigos publicados entre 2005 e 2021, chegou às estimativas mais consistentes: 19,53% dos pacientes (intervalo de confiança de 95% entre 12,87% e 26,19%) e 12,53% dos implantes (entre 11,67% e 13,39%).

Traduzindo: cerca de um em cada cinco pacientes com implante desenvolve peri-implantite em algum momento. Não é rara, e também não é um destino. É justamente por essa frequência que o acompanhamento existe.

Por que dói pouco e avança muito

Ao redor do dente natural existe um ligamento que funciona como amortecedor e como uma rede de terminações nervosas, um sistema de alarme que avisa cedo quando algo está errado. O implante é osseointegrado, em contato direto com o osso, sem esse sistema. Na prática, a peri-implantite costuma progredir em silêncio. Quando aparecem mobilidade, pus ou desconforto para mastigar, a perda de osso em geral já é grande.

Por isso o sinal que eu peço que você vigie não é a dor. É o sangramento ao escovar. Se a gengiva ao redor do implante sangra, avise a equipe, sem esperar a data da revisão.

Peri-implantite: quão comum é e quem tem mais risco

Quem tem mais risco

  • Quem fuma. É o fator de risco mais consistente na literatura. Há um texto só sobre isso: implante dentário em fumantes.
  • Quem já teve doença da gengiva. As bactérias associadas à peri-implantite são, em boa parte, as mesmas da periodontite.
  • Quem não faz manutenção. Sem sondagem e radiografia de controle, a perda óssea inicial é invisível.
  • Quem tem diabetes sem controle.
  • Quem tem prótese difícil de limpar, que impede o acesso à região entre o implante e a gengiva.

Nenhum desses fatores é uma sentença. Eles mudam o plano, a frequência dos retornos e a conversa que eu tenho com você. Eu marco os retornos com mais proximidade para quem se encaixa neles.

Como se descobre

O diagnóstico combina três elementos, e nenhum deles fecha o quadro sozinho: a sondagem ao redor do implante (profundidade e sangramento), a radiografia comparada com a imagem inicial do dia em que o implante foi colocado, e o exame clínico para ver se há pus ou mobilidade. É por isso que a imagem inicial é guardada: sem ela, não há com o que comparar. A tomografia e as radiografias de controle têm esse papel também no acompanhamento.

E se já instalou? O que dá para fazer

O manejo depende de quanto osso foi perdido. Em quadros iniciais, a limpeza da superfície do implante associada ao controle dos fatores de risco costuma estabilizar a situação. Em perdas maiores, entram abordagens cirúrgicas para ter acesso à área e, em casos avançados, discute-se a remoção do implante. O que importa para quem está lendo: o resultado depende muito de quando o problema é encontrado.

As diretrizes europeias de periodontia para prevenção e tratamento das doenças ao redor dos implantes, publicadas em 2023, vão na mesma direção. Elas recomendam que a prevenção comece quando o implante é planejado, seja colocado e receba a prótese, e que, depois, exista um programa estruturado de cuidado, com revisão periódica da saúde dos tecidos. Se a mucosite ou a peri-implantite forem detectadas, o tratamento adequado deve ser feito.

Como prevenir

  1. Limpar todo dia a região entre o implante e a gengiva, com o recurso certo para a sua prótese. A rotina está em como limpar o implante dentário.
  2. Não fumar, ou pelo menos reduzir, com apoio do seu médico.
  3. Tratar a doença da gengiva antes e depois do implante.
  4. Controlar o diabetes, se for o seu caso.
  5. Ir às revisões, com sondagem e radiografia de controle, mesmo quando tudo parece bem.

É esse conjunto que determina, na prática, quanto tempo dura um implante dentário. E não confunda os quadros: o que muita gente chama de rejeição quase sempre é peri-implantite ou falha de integração, como explico em rejeição de implante dentário. Se a queixa for pressão no rosto e secreção de um lado só depois de implante na arcada de cima, o caminho é outro: leia sobre sinusite após implante dentário.

Três ideias erradas que atrasam o diagnóstico

  • “Se não dói, está tudo bem.” Na peri-implantite, a dor costuma ser tardia. O sangramento vem antes.
  • “Implante de titânio não tem problema nenhum.” O titânio não tem cárie, mas o tecido ao redor dele adoece como a gengiva de um dente natural.
  • “Se eu perdi osso, não tem mais o que fazer.” Depende do quanto. Em muitos casos a situação pode ser estabilizada, e quanto mais cedo, mais simples.

O que acontece na revisão

A consulta de revisão é rápida e tem um roteiro. Eu olho a gengiva ao redor do implante, passo a sonda com delicadeza para medir a profundidade e ver se há sangramento, comparo a radiografia de controle com a imagem inicial e confiro se a prótese está permitindo a limpeza. Em seguida, converso com você sobre a rotina de casa e, quando preciso, ajusto o intervalo do próximo retorno.

Se tudo estiver bem, a revisão serve para confirmar que está tudo bem, e isso também é resultado. Se houver um sinal de alerta, a gente descobre na fase em que ele é mais simples de resolver.

O que a evidência permite dizer, e o que não permite

Permite dizer que a peri-implantite é frequente, que começa silenciosa, que a mucosite é reversível e que a prevenção e o acompanhamento periódico são recomendados por diretrizes internacionais.

Não permite dizer que o seu implante vai ou não vai desenvolver a doença, nem dar um número exato de risco. Os valores de prevalência variam com a definição usada e com o tipo de população estudada, e os próprios autores falam em estimativas. Também não existe um tratamento único que funcione em todos os casos: a conduta depende do estágio e do paciente.

Peri-implantite: perguntas para levar à consulta inicial

Perguntas frequentes

O que é peri-implantite?

É uma inflamação que atinge o tecido e o osso ao redor de um implante já integrado, levando à perda óssea progressiva. É a principal causa de perda de implantes anos depois da cirurgia.

Peri-implantite tem cura?

O quadro pode ser estabilizado, especialmente quando identificado cedo. O osso já perdido, porém, não se recompõe sozinho. Na fase anterior, a mucosite peri-implantar, a condição é reversível.

Quais são os primeiros sinais de peri-implantite?

O sinal mais precoce é o sangramento ao escovar ou ao sondar, em geral antes de qualquer dor. Depois podem vir vermelhidão, inchaço da gengiva ao redor do implante e, em fases mais avançadas, pus e mobilidade.

Peri-implantite é o mesmo que rejeição do implante?

Não. A rejeição imunológica ao titânio é extremamente incomum. A peri-implantite é uma doença inflamatória ligada ao acúmulo de bactérias, com fatores de risco conhecidos e controláveis.

Com que frequência a peri-implantite acontece?

Uma meta-análise de 57 estudos estimou 19,53% dos pacientes e 12,53% dos implantes, o que corresponde a cerca de um em cada cinco pacientes com implante.

Como prevenir a peri-implantite?

Higiene diária da região entre o implante e a gengiva, não fumar, tratar a doença da gengiva e ir às revisões periódicas com sondagem e radiografia de controle.

Fontes

  • Diaz P, Gonzalo E, Villagra LJG, Miegimolle B, Suarez MJ. What is the prevalence of peri-implantitis? A systematic review and meta-analysis. BMC Oral Health. 2022;22(1):449. doi:10.1186/s12903-022-02493-8
  • Herrera D, Berglundh T, Schwarz F, et al. Prevention and treatment of peri-implant diseases: the EFP S3 level clinical practice guideline. J Clin Periodontol. 2023;50 Suppl 26:4-76. doi:10.1111/jcpe.13823

Agende sua consulta inicial em Natal-RN

Sangramento ao redor de um implante merece ser olhado, e quanto mais cedo, mais simples o caminho. Se você notou esse sinal ou quer fazer o acompanhamento do seu implante, o primeiro passo é uma consulta inicial com o Dr. Daniel Coutinho (CRO-RN 2966), no Tirol. A Carolina, na recepção, explica como funciona.

Cartas do Dr. Daniel Coutinho. Uma carta a cada 15 dias com um assunto como este, explicado com calma. Sem propaganda; para sair, é só responder SAIR.

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