Quem tem marca-passo e implante dentário na mesma conversa costuma chegar ao consultório com uma pergunta que ninguém respondeu direito. Não é se pode operar — é se o aparelho usado na cirurgia pode interferir no dispositivo cardíaco. A dúvida é legítima, tem base física real, e tem protocolo.
Resposta rápida: Sim, quem usa marca-passo pode fazer implante dentário. O cuidado não está na cirurgia em si, mas em dois equipamentos: o bisturi eletrocirúrgico e o ultrassom. Com o cardiologista informado e o protocolo correto, o procedimento é seguro.
A pergunta que o paciente faz e a que ele quer fazer
A pergunta dita é “posso fazer implante com marca-passo?”. A pergunta real, quase sempre, é outra: “esse aparelho que o dentista usa pode desligar o meu marca-passo?”.
A diferença importa porque as duas respostas são diferentes. A primeira é sim, com tranquilidade. A segunda exige explicar o que de fato pode gerar interferência eletromagnética — e o que não gera.
O que pode interferir, e o que não interfere
Marca-passos e cardiodesfibriladores implantáveis (CDI) modernos têm blindagem contra interferência. Ainda assim, algumas fontes merecem atenção em ambiente odontológico:
- Bisturi eletrocirúrgico (eletrocautério monopolar) — é a fonte de maior atenção. Quando indicado, existe alternativa: usar bipolar, ou dispensar o eletrocautério.
- Ultrassom (piezoelétrico, raspador) — atenção relativa, especialmente próximo ao gerador.
- Motor cirúrgico de implante, caneta de alta rotação, fotopolimerizador, radiografia e tomografia — sem evidência de interferência clinicamente relevante.
Ou seja: a maior parte da cirurgia de implante usa equipamentos que não representam problema. O ponto de decisão é pontual e conhecido de antemão.
O que muda no planejamento
O que muda não é a técnica cirúrgica — é a preparação. Na prática:
- Saber qual dispositivo é (marca-passo simples ou CDI) e há quanto tempo foi implantado.
- Comunicação com o cardiologista antes da cirurgia, não depois.
- Planejar a hemostasia sem depender de eletrocautério monopolar.
- Sessões mais curtas e monitorização, quando o caso justificar.
Existe ainda um ponto frequentemente esquecido: muitos pacientes com marca-passo também usam anticoagulante. Nesses casos, é o anticoagulante — não o marca-passo — que costuma pesar mais no planejamento cirúrgico.
Profilaxia antibiótica: um mito que persiste
Marca-passo, isoladamente, não é indicação de profilaxia antibiótica para procedimento odontológico. As diretrizes atuais reservam a profilaxia para condições cardíacas específicas de alto risco de endocardite — e dispositivo eletrônico implantado não está nessa lista.
Isso não significa dispensar avaliação: significa que a decisão sobre antibiótico é individual e baseada no quadro completo, não automática por causa do aparelho.
Fontes
- American Dental Association — Antibiotic Prophylaxis Prior to Dental Procedures
- American Heart Association — Prevention of Viridans Group Streptococcal Infective Endocarditis
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Agende sua avaliação em Natal-RN
A decisão sobre o seu caso depende de exame clínico e tomografia. A avaliação é conduzida pessoalmente pelo Dr. Daniel Coutinho, especialista em Implantodontia pela FOP-UNICAMP, CRO-RN 2966.
Cartas do Dr. Daniel Coutinho. Uma carta a cada 15 dias com um assunto como este, explicado com calma. Sem propaganda; para sair, é só responder SAIR.
