Implante Zigomático: o Que as Revisões Científicas Mostram e as Perspectivas Futuras

Consenso sobre implantes zigomáticos: evidências científicas e taxa de sobrevivência

Esta síntese sobre implantes zigomáticos reúne o que as revisões sistemáticas hoje descrevem a respeito da técnica: indicações, taxas de sobrevivência e complicações. Este artigo resume essa literatura e aponta as perspectivas futuras da área.

Resposta rápida: As revisões sistemáticas atuais descrevem o implante zigomático como opção previsível para reabilitação da maxila atrófica severa, com sobrevivência entre 95% e 97% no longo prazo, desde que operado por cirurgião experiente. É indicada quando não há osso suficiente para implantes convencionais, evitando enxertos extensos e reduzindo o tempo total de tratamento.

Os implantes zigomáticos surgiram como uma alternativa de tratamento para pacientes com reabsorção severa do maxilar superior, proporcionando uma solução que dispensa a necessidade de enxertos ósseos complexos. Desde sua concepção por Branemark nos anos 1980, as técnicas de implantes zigomáticos evoluíram consideravelmente, tanto em termos de precisão quanto de praticidade. Neste artigo, discutiremos o estado atual da técnica, os avanços na tecnologia de navegação cirúrgica e robótica, além das promessas e desafios futuros da área. Está preparado?

Consenso sobre implantes zigomáticos: o que são?

Os implantes zigomáticos são parafusos longos fixados ao osso zigomático (maçã do rosto), que atuam como âncoras para próteses dentárias em pacientes com perda óssea significativa no maxilar superior. A técnica é especialmente indicada para aqueles que apresentam atrofia severa ou necessitam de reconstrução após tratamentos de câncer maxilofacial. Este procedimento tem se mostrado eficaz na reabilitação funcional e estética dos pacientes, permitindo uma recuperação mais rápida e reduzindo a necessidade de intervenções adicionais.

Evolução das Técnicas Cirúrgicas

A evolução das técnicas de implante zigomático trouxe maior variedade de opções cirúrgicas, permitindo personalização de acordo com a anatomia e as necessidades do paciente. As principais abordagens incluem a técnica clássica de Branemark, técnicas extramaxilares (em que o implante é fixado externamente ao seio maxilar), e o uso de sistemas de navegação computacional para guiar o implante com precisão.

1. Técnica Extramaxilar: Esta técnica é preferida para casos em que o paciente apresenta uma concavidade severa na região do maxilar. Em uma coorte de 39 pacientes acompanhada por 5 anos, essa abordagem teve sucesso de 97% por paciente e 98,8% por implante (Maló et al., Eur J Oral Implantol, 2014).

2. Técnicas Assistidas por Computador: O uso de navegação cirúrgica assistida por computador tem aumentado, especialmente em casos complexos, pois melhora a precisão no posicionamento dos implantes. Uma revisão sistemática relata maior precisão e menos complicações com a navegação dinâmica do que com a técnica à mão livre, ressalvando que faltam estudos controlados maiores (Ramezanzade et al., 2020).

3. Cirurgia Guiada por Modelos Estereolitográficos: Nesta técnica, são utilizados modelos 3D e guias cirúrgicos personalizados, fabricados de acordo com a anatomia específica do paciente, com a proposta de uma cirurgia sem retalho; os próprios autores indicam que acertar o ângulo do implante continua sendo difícil (Schiroli et al., 2011).

Avanços tecnológicos e robótica nos implantes zigomáticos

A tecnologia de navegação cirúrgica em tempo real e a introdução de sistemas robóticos têm ampliado as possibilidades de precisão e segurança nos implantes zigomáticos. Em um estudo-piloto de 2019, um sistema robótico com monitoramento óptico foi testado em modelo de laboratório, com desvio de ângulo de cerca de 1,5° e de ponto de entrada de cerca de 0,8 mm. Ainda não há evidência clínica de benefício para o paciente (Cao et al., 2019).

O planejamento por tomografia permite mapear o osso zigomático antes da cirurgia.

Complicações e taxa de sobrevivência dos implantes zigomáticos

A maior revisão sistemática disponível reuniu 4.556 implantes zigomáticos em 2.161 pacientes e descreveu sobrevivência acumulada de 95,21% em 12 anos, com a maior parte das falhas ocorrendo nos primeiros seis meses após a cirurgia (Chrcanovic, Albrektsson & Wennerberg, J Oral Maxillofac Surg, 2016). Uma revisão anterior do mesmo autor principal, reunindo 42 estudos, havia descrito 96,7% em 12 anos — e concluiu que a técnica exige cirurgiões muito experientes, por envolver estruturas anatômicas delicadas (Chrcanovic & Abreu, Oral Maxillofac Surg, 2012).

 No entanto, complicações como sinusite, comunicação oroantral e parestesia ainda são relatadas, especialmente em pacientes submetidos à técnica intrassinusal (IZI). A técnica extrassinusal (EZI) parece reduzir a incidência dessas complicações (o implante passa por fora do seio maxilar, e não por dentro).(Moraschini et al., 2022, meta-análise em que a sobrevivência dos zigomáticos, 96,5%, não diferiu da dos implantes convencionais).

Em pacientes oncológicos, uma revisão de 2020 encontrou sobrevivência entre 77% e 100%, com poucos centros reportando 20 ou mais pacientes, e o papel da radioterapia na falha ainda não está esclarecido. Ainda assim, o implante zigomático é visto como uma opção viável para a reabilitação funcional e estética nesses casos (Hackett et al., 2020).

Promessas futuras e o consenso sobre implantes zigomáticos

1. Avanço na Personalização dos Implantes: Através da impressão 3D e da robótica, espera-se um aumento na personalização dos implantes para atender a necessidades específicas dos pacientes. Isso inclui implantes com design customizado para uma melhor integração óssea e funcionalidade.

2. Uso Ampliado de Robôs e Navegação Computacional: A utilização de robôs para auxiliar na precisão da inserção dos implantes é uma tendência em ascensão. Estudos iniciais, em laboratório, sugerem ganho de precisão com o uso de robôs; o benefício clínico ainda não foi demonstrado. Este avanço, no entanto, ainda é limitado a centros com alto investimento tecnológico (Cao et al., 2019)

3. Aprimoramento das Técnicas de Diagnóstico e Planejamento: O planejamento assistido por imagem, incluindo a análise morfofuncional 3D e a tomografia computadorizada, permite uma visão detalhada da estrutura óssea do paciente, garantindo um planejamento mais preciso e resultados superiores.

4. Novas Abordagens para a Redução de Complicações: Há um foco crescente em evitar complicações associadas ao uso de implantes zigomáticos, como infecções no seio maxilar e parestesia. Técnicas mais recentes como a extrassinusal e a utilização de guias estereolitográficos estão entre as abordagens que buscam minimizar esses riscos (Esposito et al., 2013)

Conclusão

O consenso sobre implantes zigomáticos confirma que a cirurgia de implantes zigomáticos representa um campo em expansão e oferece uma alternativa eficaz para a reabilitação de pacientes com atrofia maxilar severa, especialmente aqueles que necessitam de soluções robustas e duradouras. Com a incorporação de avanços como navegação cirúrgica, cirurgias robóticas e sedação endovenosa os pacientes podem hoje se sentir mais seguros e tranquilos.

Além disso, o Dr. Daniel adota uma filosofia que une odontologia moderna com atenção aos detalhes, proporcionando uma experiência que vai além de um tratamento clínico. Cada etapa do processo é pensada para atender às expectativas e superar os receios, trazendo resultados duradouros e satisfatórios que valorizam o sorriso e a qualidade de vida dos pacientes.

Vale reforçar que o conhecimento sobre implantes zigomáticos continua evoluindo à medida que novos estudos de acompanhamento são publicados — a base de evidências sobre implantes zigomáticos indexada no PubMed cresce a cada ano. Conheça também o guia completo sobre implante zigomático em Natal.

Leia também: riscos do implante zigomático: o que dizem os especialistas.

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Fontes

Os dados citados foram consultados no PubMed:

  • Chrcanovic BR, Abreu MHNG. Survival and complications of zygomatic implants: a systematic review. Oral Maxillofac Surg. 2012;17(2):81-93. DOI
  • Chrcanovic BR, Albrektsson T, Wennerberg A. Survival and complications of zygomatic implants: an updated systematic review. J Oral Maxillofac Surg. 2016;74(10):1949-1964. DOI
  • Brennand Roper M, Vissink A, Dudding T, et al. Long-term treatment outcomes with zygomatic implants: a systematic review and meta-analysis. Int J Implant Dent. 2023;9(1):21. DOI
  • Lan K, Wang F, Huang W, Davó R, Wu Y. Quad zygomatic implants: a systematic review and meta-analysis on survival and complications. Int J Oral Maxillofac Implants. 2021;36(1):21-29. DOI
  • Moraschini V, de Queiroz TR, Sartoretto SC, et al. Survival and complications of zygomatic implants compared to conventional implants reported in longitudinal studies with a follow-up period of at least 5 years: a systematic review and meta-analysis. Clin Implant Dent Relat Res. 2022;25(1):177-189. DOI
  • Ramezanzade S, Keyhan SO, Tuminelli FJ, et al. Dynamic-assisted navigational system in zygomatic implant surgery: a qualitative and quantitative systematic review of current clinical and cadaver studies. J Oral Maxillofac Surg. 2020;79(4):799-812. DOI
  • Maló P, de Araújo Nobre M, Lopes A, Ferro A, Moss S. Five-year outcome of a retrospective cohort study on the rehabilitation of completely edentulous atrophic maxillae with immediately loaded zygomatic implants placed extra-maxillary. Eur J Oral Implantol. 2014;7(3):267-281. PubMed
  • Schiroli G, Angiero F, Silvestrini-Biavati A, Benedicenti S. Zygomatic implant placement with flapless computer-guided surgery: a proposed clinical protocol. J Oral Maxillofac Surg. 2011;69(12):2979-2989. DOI
  • Cao Z, Qin C, Fan S, et al. Pilot study of a surgical robot system for zygomatic implant placement. Med Eng Phys. 2019;75:72-78. DOI
  • Hackett S, El-Wazani B, Butterworth C. Zygomatic implant-based rehabilitation for patients with maxillary and mid-facial oncology defects: a review. Oral Dis. 2020;27(1):27-41. DOI

Perguntas frequentes sobre implantes zigomáticos

Existe respaldo científico para os implantes zigomáticos?

Sim. A técnica tem décadas de literatura e acompanhamento clínico, sendo reconhecida como opção para reabilitar a maxila com perda óssea acentuada. A indicação, porém, é sempre individual e baseada em exames.

Quando a técnica zigomática é indicada?

Principalmente quando não há osso suficiente na arcada superior para implantes convencionais. Usando o osso zigomático como ancoragem, ela evita, em muitos casos, a necessidade de enxerto.

Qual a vantagem em relação ao enxerto ósseo?

Pode encurtar o caminho do tratamento ao dispensar a etapa de enxerto e o tempo de espera associado. Se essa é a melhor rota para o seu caso depende da avaliação clínica.

Quem pode realizar a cirurgia de implante zigomático?

É um procedimento que exige formação específica e experiência. Deve ser planejado e executado por cirurgião-dentista habilitado, após avaliação criteriosa de cada paciente.

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Cartas do Dr. Daniel Coutinho. Uma carta a cada 15 dias com um assunto como este, explicado com calma. Sem propaganda; para sair, é só responder SAIR.