Uma das frases que eu mais ouço na primeira consulta é esta: “doutor, eu quero fazer, mas estou com muito medo”. Às vezes ela vem baixinho, quase pedindo desculpa. Às vezes vem logo na porta, antes de a pessoa sentar.
Esse medo não é bobagem, e eu não trato como se fosse. Muita gente adia o implante por anos por causa dele, e quase sempre existe uma história por trás: uma extração que doeu, um atendimento apressado, alguma coisa que alguém contou.
Resposta rápida: a sedação endovenosa ajuda muito no medo, mas não é ela que tira a dor. Quem tira a dor é a anestesia local, aplicada na região da cirurgia. A sedação é um remédio colocado na veia que deixa você relaxado e sonolento, respirando sozinho, com os sinais vitais acompanhados o tempo todo. Quem aplica é sempre um médico anestesista, que fica só por conta disso. Se ela é indicada no seu caso, isso se decide na consulta inicial.
Neste texto eu explico, do jeito que explico na cadeira, o que a sedação endovenosa faz, o que ela não faz, quem aplica, como é o dia da cirurgia e o que ajuda além dela. O medo costuma diminuir quando a pessoa sabe exatamente o que vai acontecer.
De onde vem esse medo
Na cadeira, quatro medos aparecem com mais frequência. Muitas vezes vêm juntos.
- Medo de dor. É o mais comum. Quase sempre vem de uma experiência antiga, de uma época em que a anestesia era feita com menos cuidado e o atendimento era mais corrido.
- Medo do desconhecido. A pessoa não sabe o que vai acontecer, quanto tempo leva, o que vai ouvir, se vai sentir alguma coisa. A cabeça preenche esse vazio com o pior cenário possível.
- Medo de ouvir que não tem mais jeito. Muita gente adia a consulta para não confirmar uma suspeita. Enquanto adia, o osso que ficou sem dente continua diminuindo.
- Vergonha. De como a boca está, do tempo que ficou sem cuidar, de abrir a boca para alguém que acabou de conhecer. Quase ninguém fala desse em voz alta, mas ele está lá.
Cada um pede uma resposta diferente. A sedação ajuda bastante com os dois primeiros durante a cirurgia. Os outros dois se resolvem antes dela, na conversa.

O que a sedação faz
A sedação endovenosa é um medicamento colocado na veia, em geral no braço ou na mão, por um médico anestesista. Em poucos minutos você fica relaxado e sonolento, e o tempo parece passar mais rápido.
Você continua respirando sozinho. Não precisa de tubo nem de aparelho para respirar, porque não é anestesia geral. Pode até responder quando alguém fala com você, só que sem aquela tensão que deixa o corpo duro na cadeira.
Depois, muita gente diz que lembra de pouca coisa. Outras pessoas lembram de alguns trechos. Isso varia de pessoa para pessoa e conforme o remédio usado, então eu não prometo nem uma coisa nem outra.
Durante todo o procedimento, o anestesista acompanha a oxigenação, a pressão e os batimentos do coração. Ele está ali só para isso: enquanto eu cuido da cirurgia, ele cuida de você.
Se você quer entender a técnica com mais detalhe, com indicações e cuidados, escrevi um texto só sobre sedação endovenosa na odontologia.
O que a sedação não faz
Aqui mora uma confusão que aparece muito, e vale deixar claro.
- Ela não tira a dor. Quem impede a dor na região operada é a anestesia local, a mesma ideia da anestesia de uma restauração. A sedação cuida da ansiedade. As duas trabalham juntas, cada uma na sua parte.
- Ela não é anestesia geral. Você não fica desacordado e não precisa de respirador. Por isso o preparo e a recuperação são mais simples.
- Ela não é para todo mundo. Algumas condições de saúde e alguns remédios pedem mais cautela ou outro caminho. Quem avalia isso é o anestesista, olhando para a sua saúde.
- Ela não substitui a conversa. Uma pessoa sedada que não entende o próprio tratamento continua com medo, só que no dia seguinte. O que diminui o medo de verdade é saber o que vai acontecer.
Quem aplica a sedação
Nas minhas cirurgias, quem aplica a sedação é sempre um médico anestesista. Sempre. Eu cuido do implante. Ele cuida da sedação e do seu monitoramento, do começo ao fim, sem dividir a atenção com outra tarefa.
Faço questão de dizer isso com todas as letras. Se a sedação for indicada para você, vale perguntar, em qualquer consultório, quem vai aplicar e quem vai acompanhar seus sinais vitais durante a cirurgia. É uma pergunta legítima, e você merece uma resposta clara.

Anestesia local, sedação e anestesia geral: qual a diferença
São três coisas diferentes, e muita gente chega achando que são a mesma. Em resumo:
| O que faz | Como você fica | Quem aplica | |
|---|---|---|---|
| Anestesia local | Tira a dor da região que vai ser operada | Acordado, sem sentir dor no local | O cirurgião-dentista |
| Sedação endovenosa | Diminui a ansiedade e o desconforto de estar ali | Relaxado e sonolento, respirando sozinho | O médico anestesista |
| Anestesia geral | Deixa você inconsciente durante a cirurgia | Dormindo, com a respiração mantida por aparelhos | O médico anestesista, em centro cirúrgico |
Na maioria das cirurgias de implante, a anestesia local resolve sozinha. A sedação entra quando o medo ou a extensão da cirurgia pedem. A anestesia geral fica para casos específicos.
Como é o dia da cirurgia com sedação
Antes
Antes do dia marcado, eu peço o relatório de risco cirúrgico, feito pelo cardiologista, e exames de laboratório: hemoglobina glicada, glicemia de jejum, hemograma e coagulograma. O anestesista também conversa com você sobre a sua saúde: doenças, remédios que você toma, alergias, cirurgias anteriores. Se precisar de mais algum exame, ele pede. Ele também passa as orientações de jejum, que precisam ser seguidas à risca, e diz o que fazer com os remédios do dia a dia.
Uma coisa prática: venha com um adulto que possa levar você para casa. Sem acompanhante, a sedação não é feita. É uma regra de segurança.
Durante
Você senta na cadeira, o anestesista coloca os monitores, como o sensor no dedo e o aparelho de pressão, e acessa a veia. Depois que a sedação faz efeito, eu aplico a anestesia local. A partir daí a cirurgia acontece com você tranquilo.
Quanto tempo leva depende do caso. Um implante só é bem diferente de uma arcada inteira. Isso eu explico antes, com o seu planejamento na mão, para você não ficar contando minutos no escuro.
Depois
Quando termina, você fica em recuperação no consultório até o anestesista liberar. Em geral leva algo entre meia hora e uma hora, mas quem decide é ele, olhando para você, e não para o relógio.
No resto do dia, nada de dirigir, beber álcool ou tomar decisões importantes. É normal sentir sono até a noite. Os cuidados com a região operada, como alimentação e higiene, você recebe antes de ir para casa.
E no implante zigomático?
O implante zigomático é indicado quando falta osso na maxila, e o implante se apoia no osso da maçã do rosto. Só o nome já assusta, e eu entendo. É uma cirurgia maior que a de um implante comum, e por isso o cuidado com anestesia e sedação também é maior.
Nesses casos, a sedação feita pelo anestesista é comum. Em algumas situações, a indicação é operar em centro cirúrgico, com anestesia geral. O que decide é a tomografia, a extensão da cirurgia e a sua saúde. Não existe resposta pronta antes da consulta.
Se quiser entender a técnica do começo ao fim, escrevi um guia completo sobre o implante zigomático.

O que ajuda além da sedação
A sedação é uma ferramenta, e ela não trabalha sozinha. O que eu vejo funcionar, consulta após consulta:
- Conhecer o plano inteiro antes. Na consulta inicial, você sai com o seu diagnóstico pronto, na minha visão clínica: o que está acontecendo na sua boca, quais caminhos existem e em quantas etapas o tratamento se divide. Decidir no escuro é o que mais alimenta o medo.
- Entender a tomografia. Quando a pessoa entende o que o exame mostra, a cirurgia deixa de ser uma coisa abstrata e vira um plano com começo, meio e fim.
- Trazer quem decide com você. Se a decisão é tomada em casa, com o marido, a esposa ou um filho, traga essa pessoa para a consulta. Ouvir junto evita que você precise repetir tudo em casa, já cheio de dúvida.
- Fazer as perguntas que parecem bobas. Vai doer depois? Vou ficar sem dente em algum momento? Quantos dias de repouso? Quando é o seu corpo, nenhuma pergunta é boba.
- Combinar um sinal. Para quem faz a cirurgia só com anestesia local, vale combinar antes um sinal para pedir uma pausa, como levantar a mão. Saber que dá para parar muda a forma como o corpo reage.
Escrevi também sobre o medo de implante dentário de forma mais ampla, para quem está adiando há muito tempo e não sabe por onde começar.
Uma palavra sobre adiar
Não escrevo isso para apressar ninguém. A hora de tratar é uma decisão sua, e depende de muita coisa além da boca.
Mas existe uma informação que pouca gente recebe: o osso que fica sem dente tende a continuar diminuindo com os anos. O caso de hoje raramente é igual ao de daqui a dois anos. Às vezes o medo faz a pessoa esperar justamente o tempo que deixaria o tratamento mais simples.
Se o que está segurando você é o medo, comece pela consulta inicial. Saber o que dá para fazer no seu caso costuma deixar o próximo passo bem mais leve.
Perguntas frequentes sobre sedação na cirurgia de implante
Vou sentir dor na cirurgia de implante com sedação?
Quem controla a dor na região operada é a anestesia local, aplicada depois que a sedação faz efeito. A sedação cuida da ansiedade. Por isso as duas são usadas juntas.
Vou dormir durante a sedação endovenosa?
Você fica relaxado e sonolento, mas não desacordado como numa anestesia geral. Continua respirando sozinho e pode responder quando falam com você. Muita gente lembra pouco do procedimento, mas isso varia de pessoa para pessoa.
Quem aplica a sedação endovenosa na cirurgia de implante?
Sempre um médico anestesista. Ele aplica a medicação e acompanha oxigenação, pressão e batimentos do começo ao fim, enquanto o cirurgião-dentista cuida da cirurgia.
Qualquer pessoa pode fazer implante com sedação?
Não. Algumas condições de saúde e alguns remédios pedem mais cautela ou outro caminho. O anestesista conversa com você antes e decide se a sedação é adequada no seu caso.
Preciso ir acompanhado no dia da cirurgia com sedação?
Sim. Depois da sedação você não pode dirigir nem voltar sozinho. Venha com um adulto que possa levar você para casa e ficar por perto no restante do dia.
Ter medo é motivo para indicar sedação?
Pode ser. A ansiedade é uma das razões mais comuns para indicar sedação na cirurgia de implante. A decisão sai da consulta inicial e da conversa com o anestesista sobre a sua saúde.
Para ler mais sobre os níveis de sedação: American Society of Anesthesiologists, Continuum of Depth of Sedation (2019).
Escrevi mais sobre o medo em como vencer o medo de implante com informação, acolhimento e sedação, e descrevo como é fazer implante comigo na ANCORE, do planejamento ao acompanhamento.
Agende sua consulta inicial em Natal-RN
Cada caso tem particularidades que só um exame clínico e a tomografia revelam. Se você quer entender quais caminhos existem para a sua situação, o primeiro passo é uma consulta inicial com o Dr. Daniel Coutinho (CRO-RN 2966), no Tirol. Você pode agendar online agora mesmo ou falar com a Carolina pelo WhatsApp.
Cartas do Dr. Daniel Coutinho. Uma carta a cada 15 dias com um assunto como este, explicado com calma. Sem propaganda; para sair, é só responder SAIR.
